
Quem passa pelo Méier dificilmente deixa de cruzar a Rua Dias da Cruz. Principal via comercial do bairro, ela concentra lojas, bancos, restaurantes, serviços e faz parte da rotina de milhares de moradores todos os dias. Mas poucos conhecem a história da personalidade que empresta seu nome a essa importante rua da Zona Norte do Rio.
Francisco de Menezes Dias da Cruz nasceu na cidade do Rio de Janeiro, em 27 de fevereiro de 1853. Filho do médico, professor e político Francisco de Menezes Dias da Cruz e de Rosa de Lima Dias da Cruz, seguiu os passos da família ao dedicar sua vida aos estudos e à medicina.
Antes mesmo de concluir o curso na Faculdade de Medicina, lecionou matemática no Colégio Pinheiro, instituição onde havia estudado. Após formar-se médico, construiu uma carreira de grande prestígio, tornando-se conhecido pelo atendimento dedicado aos pacientes e pelo trabalho filantrópico, especialmente em favor das pessoas mais necessitadas.
Um médico respeitado e defensor da homeopatia
Além da medicina tradicional, Dias da Cruz tornou-se um dos principais defensores da homeopatia no Brasil. Presidiu o Curso Hahnemanniano e também o Instituto Hahnemanniano do Brasil, instituições voltadas ao estudo e à divulgação desse método terapêutico.
Sua reputação profissional fez com que reunisse uma ampla clientela. Mesmo assim, relatos da época destacam que nunca deixou de atender gratuitamente pessoas sem condições de pagar por consultas, prática que marcou sua trajetória como médico.
Da medicina ao Espiritismo
Outro aspecto importante de sua vida foi a aproximação com o Espiritismo. Segundo registros históricos da Federação Espírita Brasileira, seu interesse pela doutrina surgiu após buscar compreender relatos envolvendo manifestações espirituais relacionadas ao pai, já falecido.
A partir dessa experiência, passou a estudar profundamente os ensinamentos espíritas e tornou-se uma das principais lideranças do movimento no país durante o final do século XIX.
Entre 1890 e 1895, presidiu a Federação Espírita Brasileira (FEB), período em que ajudou a estruturar ações de assistência social e beneficência voltadas ao atendimento de pessoas em situação de vulnerabilidade. Também dirigiu o jornal Reformador e escreveu diversos artigos sobre o tema, além do livro O Professor Lombroso e o Espiritismo.
Uma vida dedicada ao conhecimento
Descrito por contemporâneos como um homem de vasta cultura, Dias da Cruz possuía uma rica biblioteca particular e manteve, ao longo da vida, forte interesse pelos estudos científicos e filosóficos.
Também exerceu o cargo de bibliotecário da Câmara Municipal do Rio de Janeiro durante cerca de dez anos. Com a Proclamação da República, acabou sendo afastado da função em meio às mudanças políticas daquele período. Francisco de Menezes Dias da Cruz morreu no Rio de Janeiro em 30 de setembro de 1937, aos 84 anos, deixando um legado ligado à medicina, à homeopatia, à assistência social e ao movimento espírita brasileiro



