Na Praça Cardeal Arcoverde, em Copacabana, um teatro guarda uma história que atravessa mais de seis décadas da cultura carioca. O Teatro Glaucio Gill nasceu em 1958, inicialmente com o nome de Teatro da Praça, e ao longo dos anos recebeu atores, diretores, companhias e espetáculos que ajudaram a construir a trajetória do teatro brasileiro.
O espaço também se tornou conhecido por abrir suas portas para artistas, grupos e companhias em busca de experimentação e novos caminhos para a cena teatral.
Das apresentações no auditório de uma escola ao Teatro da Praça
A história do teatro começou a partir da utilização do auditório do Centro de Recreação e Cultura da Escola Municipal Dom Aquino Correa, espaço anexo ao teatro.
A iniciativa contou com a participação de atores ligados ao Tablado, entre eles Adila Araújo, Carmen Silvia Murgel, Fábio Sabag, Isolda de Souza, Kalma Murtinho e Cláudio Corrêa e Castro.
Inaugurado em 1958, o espaço recebeu o nome de Teatro da Praça, uma referência direta à localização, na Praça Cardeal Arcoverde. O ator Rogério Fróes foi seu primeiro diretor.
A primeira montagem apresentada foi a peça infantil O Bobo Bobão, de Lígia Nunes, dirigida por Fábio Sabag. Alguns meses depois, em junho daquele mesmo ano, teve início a programação voltada ao público adulto, com O Chapéu de Palha de Itália, de Eugène Labiche.
Um novo nome para um espaço que já tinha história
Em 1965, o teatro passou por reformas e recebeu o nome que permanece até hoje: Teatro Glaucio Gill.
A homenagem foi feita ao ator e dramaturgo Glaucio Gill, que morreu aos 33 anos. A partir desse período, o espaço ampliou sua importância na cena teatral carioca e passou a receber diferentes companhias e produções.
Entre os espetáculos que passaram pelo palco ao longo das décadas estão montagens como Navalha na Carne, O Exercício, Réveillon, Senhora da Boca do Lixo, Hedda Gabler e Mão na Luva. As produções reuniram nomes conhecidos do teatro brasileiro, entre eles Tônia Carrero, Emiliano Queiroz, Nelson Xavier, Glauce Rocha, Rubens de Falco, Fernanda Montenegro, Sérgio Brito, Dina Sfat, Cláudio Marzo, Marco Nanini e Juliana Carneiro da Cunha.
Um teatro que mudou junto com a cena carioca
A trajetória do Glaucio Gill também é marcada por períodos de reformas e mudanças em sua estrutura.
Em 1987, o teatro foi fechado para uma restauração que acabou se prolongando. A mobilização de artistas e movimentos sociais contribuiu para a retomada do espaço, que foi reaberto em 27 de outubro de 1990, depois de passar por uma remodelação.
Na reforma, a configuração tradicional de palco italiano foi modificada. Foram criados recursos como estruturas e plateias móveis, permitindo diferentes configurações para os espetáculos.
A reabertura teve direção cultural de Aderbal Freire Filho, que levou para o teatro o Centro de Demolição e Construção do Espetáculo, projeto que também promoveu montagens e oficinas.
Novas transformações
O teatro passou por outras intervenções ao longo dos anos. Em 1998, uma nova reforma recuperou a configuração anterior de palco e plateia e criou o Café do Glaucio, espaço que recebeu apresentações de pequeno formato.
Já nos anos seguintes, diferentes modelos de ocupação passaram a fazer parte da programação. A partir de 2015, a programação de espetáculos adultos e infantis passou a ser definida por meio de editais de ocupação semestral.
Em 2020, o teatro fechou temporariamente em razão da pandemia de Covid-19. No ano seguinte, passou por novas obras de restauração e modernização de equipamentos.
Um espaço também voltado à formação
Além das apresentações, o Teatro Glaucio Gill também desenvolveu atividades ligadas à formação artística.
Ao longo de sua história, o espaço recebeu oficinas, cursos, ensaios e outras iniciativas relacionadas às artes cênicas. O Café do Glaucio, por exemplo, passou a ser utilizado também para cursos livres de teatro, oficinas e ensaios.
Essa característica ajuda a explicar a importância do teatro para além dos espetáculos apresentados em seu palco: o Glaucio Gill também se tornou um espaço para experimentação, aprendizado e encontro entre artistas.
Estrutura e acessibilidade
As reformas realizadas ao longo dos anos também trouxeram mudanças na estrutura do teatro.
Entre as intervenções estão melhorias de acessibilidade para pessoas com deficiência e mobilidade reduzida, incluindo rampas de acesso, adaptação da bilheteria e de um dos camarins e a criação de um banheiro acessível.
O teatro também conta com um foyer que pode ser utilizado para exposições, performances, instalações e outras atividades culturais, além de recursos técnicos de iluminação cênica.
Um endereço tradicional da cultura carioca
Localizado em uma das áreas mais conhecidas de Copacabana, o Teatro Glaucio Gill ocupa um lugar particular na história cultural do Rio de Janeiro.
Desde sua criação como Teatro da Praça, o espaço atravessou diferentes momentos da produção teatral carioca, recebeu artistas de várias gerações e passou por transformações para acompanhar novas formas de criação e ocupação.
Para quem circula por Copacabana e gosta de teatro, o Glaucio Gill é também uma oportunidade de conhecer um espaço que faz parte da memória das artes cênicas da cidade há mais de 60 anos.
Ficha do Local
- Ano de fundação: 1958
- Endereço: Praça Cardeal Arcoverde, s/nº - Copacabana



